quinta-feira, 12 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
A selfie, ou seja, a propriazinha: uma crónica de Ricardo Araújo Pereira
Ricardo Araújo Pereira para a Revista Visão
19 de Fevereiro de 2015
"A minha principal objecção ao cinema é esta: parece-me que ver fotografias a um ritmo de 24 por segundo é um exagero.
Acaba por não se ver nenhuma fotografia como deve ser. A única
ocasião em que o visionamento de 24 fotografias por segundo se justifica
é quando amigos pretendem mostrar-nos os seus álbuns de casamento ou de
férias. Nessas alturas, suspiro pelo cinematógrafo. Ao que parece, hoje
sou o único a achar enjoativas estas sessões de exibição de fotografias
da vida pessoal.
O mundo mudou muito. No meu tempo, contemplar fotografias de amigos
era considerado um aborrecimento. Hoje, subscrevem-se contas de
instagram para poder apreciar os pés de uma amiga à beira de uma
piscina, o gato de um colega dormindo, ou o aspecto da sobremesa que um
amigo se prepara para comer. As fotos de outrora, sendo fastidiosas,
eram, apesar de tudo, menos triviais. Havia amigos junto de monumentos,
defronte de catedrais, perto de animais selvagens. Não ocorria a
ninguém, regressado de férias, dizer aos amigos: "Olha que giro, aqui
estão os pés da Clotilde junto à piscina do hotel." Ou: "Temos agora uma
foto de um prato de arroz-doce que o Mário comeu." Hoje, as pessoas
procuram fotos destas. Ninguém as obriga a vê-las. São elas que buscam
retratos de pés alheios. Algo se passa com a humanidade.
De todas as fotografias contemporâneas, a mais perigosa é a selfie
ou, em português, a propriazinha. A selfie é o equivalente moderno da
PIDE. Também persegue, tortura e mata. A PIDE contava com umas dezenas
de inspectores pouco espertos e alguns bufos diligentes. As selfies
contam com milhões de utilizadores pouco espertos e o facebook, o
instagram e o twitter. Uma selfie, para os meus leitores do século XX, é
uma fotografia que uma pessoa tira a si mesma, em geral com um
telefone. A PIDE, para os meus leitores do século XXI, era a polícia
política do Estado Novo. Há quem morra a tirar selfies em posições
perigosas.
Há quem seja torturado durante anos pela memória de uma selfie
irreflectida. Cristiano Ronaldo está a ser perseguido por umas selfies
tiradas na sua festa de aniversário.
Há selfies, belfies (fotografias do próprio rabo) e felfies
(fotografias do próprio junto de animais de quinta). Além da pulsão de
vida e da pulsão de morte, é também muito poderosa a pulsão de publicar
auto-retratos.
Freud estava distraído provavelmente, a fotografar os próprios pés junto de uma piscina".
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
sábado, 7 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Quem consegue prever a Primavera? / "Can you predict spring ?": esposição de fotografia de Fábio Roque
Clique na imagem para aumentar.
Can you predict spring
A Galeria Municipal do castelo de Pirescouxe recebe, de 7 de fevereiro até 28 de março, a exposição de fotografia Can you predict spring, de Fábio Roque.
Quem
consegue prever a Primavera? Quem consegue prever uma mudança social? É a
partir destas premissas que se desenvolve este projeto.Este trabalho foi realizado na Tunísia, numa viagem feita à volta do país, desde as principais cidades às aldeias do deserto. Para Fábio Roque foi “uma ‘digressão’ memorável e fora do vulgar, dado a singularidade do que encontrei: uma cultura diferente e, apesar de fechada, com alguns sinais de possível abertura ao exterior, nomeadamente ao turismo. Em relação ao clima político, a única abordagem que realizei nesse sentido foi calmamente respondida, ‘preferimos um ladrão conhecido, do que um desconhecido’.
Alguns meses mais tarde, começava a primavera árabe.
Fábio Roque, nascido em Lisboa no ano de 1985 é um fotógrafo que estudou no Instituto Português de Fotografia, onde fez diversos cursos entre 2004 e 2007, um deles o Profissional. Realizou também outros workshops, em locais com a Ar.Co e o Movimento de Expressão Fotográfica.
Trabalhou como fotojornalista no início da sua carreira. Trabalha sobretudo em fotografia documental, no entanto, mais recentemente descobriu uma paixão por um estilo mais pessoal e intimista de fotografar. Já realizou diversas exposições individuais em Portugal, bem como algumas coletivas, tanto em Portugal como em outros países.
Tem um pequeno projeto, chamado The Unknown Books, que tem como objetivo a publicação de pequenas zines e edições de autor.
É o criador e diretor de uma revista de fotografia online: Square Space Magazine.
Recentemente, começou a trabalhar com um coletivo internacional de fotógrafos, Latent Image Collective, cujo objetivo é a interação artística entre os diferentes membros e a criação de pontos de entendimento criativo.
Horários
De terça a sábado, das 10h às 13h e das 14h às 19h
Encerra aos domingos, segundas e feriados
Mais informações
Urbanização do Castelo de Pirescouxe
2695 Santa Iria de Azóia
Telf.: 211 150 660
Fax: 211 151 743
Fonte
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